O papel do Escore do Trauma Revisado (RTS) em trauma penetrante
The role of the Revised Trauma Score in penetrating trauma
Steffany Barbosa Reis; Matheus Portugal; Maria Tavares; Malu Adan; Gabriel Santana; Ana Romeo
Resumo
Introdução: O Revised Trauma Score (RTS) é amplamente utilizado como ferramenta prognóstica no trauma, porém sua acurácia em lesões penetrantes permanece controversa. Considerando que esse mecanismo representa parcela significativa dos atendimentos no Brasil, torna-se essencial avaliar o desempenho do escore nessas populações.
Objetivo: Comparar a acurácia prognóstica do RTS para predição de mortalidade entre vítimas de trauma contuso e penetrante, além de identificar um ponto de corte equivalente para indicação de transferência a centros de Trauma nível I.
Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo de coorte retrospectiva com pacientes atendidos entre 2015 e 2019 em um hospital de referência em Trauma. Foram analisados dados clínicos, laboratoriais e fisiológicos, com cálculo do RTS. A acurácia foi avaliada por curvas ROC e comparada pelo teste de DeLong. Regressão logística identificou preditores independentes de mortalidade.
Resultados: Foram incluídos 3575 pacientes, 68,5% vítimas de trauma contuso e 31,5% de penetrante. A AUC do RTS foi de 0,813 para trauma contuso e 0,800 para penetrante (p=0,67). Lesões penetrantes aumentaram em 61% o risco de mortalidade. A equivalência entre mecanismos mostrou que um RTS ≤4,99 no trauma contuso corresponde a um RTS ≤6,99 no penetrante.
Conclusão: O RTS apresenta acurácia semelhante para ambos os mecanismos de trauma. Entretanto, vítimas de trauma penetrante apresentam maior mortalidade, sugerindo a necessidade de ponto de corte mais elevado para triagem e transferência.
Palavras-chave
Abstract
Keywords
Referências
1 Moons KG, Royston P, Vergouwe Y, Grobbee DE, Altman DG. Prognosis and prognostic research: what, why, and how? BMJ. 2009;338:b375. DOI: 10.1136/bmj.b375.
2 Hemingway H, Croft P, Perel P, Hayden JA, Abrams K, Timmis A, et al. Prognosis research strategy (PROGRESS) 1: A framework for researching clinical outcomes. BMJ. 2013;346:e5595. DOI: 10.1136/bmj.e5595.
3 Alvarez BD, Razente DM, Lacerda DP, Lother NS, Von-Bahten LC, Stahlschmidt CM. Analysis of the Revised Trauma Score (RTS) in 200 victims of different trauma mechanisms. Rev Col Bras Cir. 2016;43(5):334-40. DOI: 10.1590/0100-69912016005010.
4 Orhon R, Eren SH, Karadayi S, Korkmaz I, Coskun A, Eren M, et al. Comparison of trauma scores for predicting mortality and morbidity on trauma patients. Ulus Travma Acil Cerrahi Derg. 2014;20(4):258-64. DOI: 10.5505/tjtes.2014.22725.
5 Champion HR, Sacco WJ, Hannan DS, Lepper RL, Atzinger EM, Copes WS, et al. Assessment of injury severity: the Triage Index. Crit Care Med. 1980;8(4):201-8. DOI: 10.1097/00003246-198004000-00005.
6 Champion HR, Sacco WJ, Carnazzo AJ, Copes WS, Fouty WJ. Trauma Score. Crit Care Med. 1981;9(9):672-6. DOI: 10.1097/00003246-198109000-00007.
7 Champion HR, Sacco WJ, Copes WS, Gann DS, Gennarelli TA, Flanagan ME. A revision of the Trauma Score. J Trauma. 1989;29(5):623-9. DOI: 10.1097/00005373-198905000-00017.
8 Moore L, Lavoie A, Abdous B, Sage NL, Liberman M, Bergeron E, et al. Unification of the Revised Trauma Score. J Trauma. 2006;61(3):718-22. DOI: 10.1097/01.ta.0000230268.54060.a7.
9 Stoica B, Paun S, Tanase I, Negoi I, Chiotoroiu AL, Beuran M. Probability of survival scores in different trauma registries: a systematic review. Chirurgia. 2016;111(2):115-9. DOI: 10.21614/chirurgia.111.2.115.
10 Kim S, Kim D, Kim T, Kang C, Lee S, Jeong J, et al. The Revised Trauma Score plus serum albumin level improves the prediction of mortality in trauma patients. Am J Emerg Med. 2017;35(12):1882-6. DOI: 10.1016/j.ajem.2017.07.041.
11 Yousefzadeh-Chabok S, Hosseinpour M, Kouchakinejad-Eramsadati L, Ranjbar F, Malekpouri R, Razzaghi A, et al. Comparison of Revised Trauma Score, Injury Severity Score and Trauma and Injury Severity Score for mortality prediction in elderly trauma patients. Ulus Travma Acil Cerrahi Derg. 2016;22(6):536-40. DOI: 10.5505/tjtes.2016.87808.
12 Biester E, Tomich P, Esposito T, Weber L. Trauma in pregnancy: Normal Revised Trauma Score in relation to other markers on maternofetal status - a preliminary study. Am J Obstet Gynecol. 1997;176(6):1206-12. DOI: 10.1016/S0002-9378(97)70326-5.
13 Mohyuddin G, Alam Z, Malik U, Shakil O, Haq A. Revised Trauma Score as a predictor of outcome in trauma cases: experiences at a tertiary care hospital in Karachi, Pakistan. J Ayub Med Coll Abbottabad. 2015;27(3):584-6.
14 Eichelberger MR, Gotschall CS, Sacco WJ, Bowman LM, Mangubat EA, Lowenstein AD. A comparison of the Trauma Score, the Revised Trauma Score, and the Pediatric Trauma Score. Ann Emerg Med. 1989;18(10):1053-8. DOI: 10.1016/S0196-0644(89)80921-6.
15 Sacco WJ, Champion HR, Gainer PS, Morelli S, Fallen S, Lawnick M. The Trauma Score as applied to penetrating trauma. Ann Emerg Med. 1984;13(6):415-8. DOI: 10.1016/S0196-0644(84)80313-7.
16 Estumano G, Almeida J, Neto P, Fontelles M. Índices de trauma como método prognóstico em pacientes vítimas de trauma abdominal atendidos no hospital de referência de urgência e emergência no estado do Pará. Rev Para Med. 2015;29(3):45-52. DOI: 10.1590/S0100-69912004000500006.
17 Loh SA, Rockman CB, Chung C, Maldonado TS, Adelman MA, Cayne NS, et al. Existing trauma and critical care scoring systems underestimate mortality among vascular trauma patients. J Vasc Surg. 2011;53(2):359-66. DOI: 10.1016/j.jvs.2010.08.083.
18 Pogorzelski GF, Silva TJ, Piazza T, Lacerda TM, Netto FS, Jorge AC, et al. Epidemiology, prognostic factors, and outcome of trauma patients admitted in a Brazilian intensive care unit. Open Access Emerg Med. 2018;10:81-8. DOI: 10.2147/OAEM.S159570.
19 Souto RMCV, Barufaldi LA, Nico LS, Freitas MG. Epidemiological profile of care for violence in public urgency and emergency services in Brazilian capitals, VIVA 2014. Cien Saude Colet. 2017;22(9):2811-23. DOI: 10.1590/1413-81232017229.13372017.
20 Trajano AD, Pereira BM, Fraga GP. Epidemiology of in-hospital trauma deaths in a Brazilian university hospital. BMC Emerg Med. 2014;14:22. DOI: 10.1186/1471-227X-14-22.
Submetido em:
11/12/2025
Aceito em:
02/02/2026


